Levantamento mostra queda na participação feminina entre os cargos de CEOs nas empresas do país, mas não informa quantas dessas executivas são negras
A presença feminina no comando das maiores empresas brasileiras voltou a diminuir. De acordo com o estudo Liderança Empresarial – CEOs 2025, da consultoria Vila Nova Partners, apenas 3,6% dos cargos de CEO das empresas que compõem o Ibovespa são ocupados por mulheres. O índice representa um recuo em relação a 2024, quando elas correspondiam a 4,8% dos presidentes executivos, e praticamente retorna ao patamar registrado há uma década, de 3,3% em 2015, o que reforça que, embora o debate sobre igualdade de gênero tenha avançado nos últimos anos, a presença feminina na liderança máxima das empresas ainda é exceção.
A pesquisa analisou empresas listadas na B3 e identificou que a maioria absoluta das organizações continua sendo comandada por homens. O percentual praticamente permaneceu estagnado em relação aos últimos anos, indicando que o ritmo de mudança ainda é lento. Outro ponto que chama atenção é que o estudo não apresenta um recorte racial das mulheres que ocupam esses cargos. Dessa forma, não é possível saber se existe e quantas das CEOs brasileiras são negras, indígenas ou pertencem a outros grupos racializados, o que limita a compreensão sobre o nível de diversidade existente nas posições de maior poder dentro das empresas.

O levantamento analisou 81 empresas que integram a carteira do principal índice da Bolsa brasileira e identificou apenas três mulheres no cargo de CEO: Tarciana Medeiros, do Banco do Brasil; Jeane Tsutsui, do Fleury; e Magda Chambriard, da Petrobras. Apesar de não ser citado na pesquisa o recorte racial dessas mulheres, Tatiana Medeiros se autodeclara publicamente como uma mulher negra.
Além da baixa participação feminina, a pesquisa evidencia que a liderança corporativa brasileira continua concentrada em um perfil bastante homogêneo. A idade média dos CEOs é de 54,9 anos, e 51% deles têm entre 50 e 59 anos. Apenas 1%está na faixa de 30 a 39 anos, enquanto 4% têm 70 anos ou mais.
A formação acadêmica também segue concentrada. 47% dos CEOs são engenheiros, 34% são formados em Administração e 11% em Economia. As demais graduações representam apenas 8% do total, indicando baixa diversidade de trajetórias acadêmicas. Além disso, 70% possuem pós-graduação, MBA, mestrado ou doutorado.
O estudo aponta ainda que 73% dos CEOs chegaram ao cargo por promoção interna, um aumento em relação aos 61% registrados em 2024. Já 45% possuem experiência internacional e 72% já atuaram em Conselhos de Administração.
Na remuneração, os presidentes executivos receberam, em média, R$ 17,6 milhões por ano em 2024, valor 15% superior ao observado na edição anterior da pesquisa. Em média, um CEO ganha três vezes mais do que os demais diretores estatutários da empresa.
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