Encontro promove discussões sobre protagonismo negro na construção de soluções para a crise climática e nos espaços de tomada de decisão
O Pão de Açúcar, um dos pontos turísticos do Rio de Janeiro foi palco na tarde desta quarta-feira (22) de um encontro entre mulheres negras para debater o protagonismo negro na construção de soluções para a crise climática e nos espaços de tomada de decisão. A reunião “O Futuro é Agora: Justiça Climática e Protagonismo Negro”, promovido pelo Coletivo Pretas B, iniciativa incubada pelo Sistema B Brasil, reuniu mulheres negras, lideranças empresariais, pesquisadoras e representantes de organizações da sociedade civil.
Realizado no Morro da Urca, o encontro teve como foco discutir novos arranjos de poder diante das crises climática e democrática, colocando mulheres negras no centro das estratégias para um desenvolvimento mais justo e sustentável. Entre os temas debatidos estiveram a participação de mulheres negras na formulação de políticas ambientais, a presença da população negra nas grandes mesas de decisão, das empresas às conferências climáticas internacionais, como a COP, e a incorporação da agenda de Justiça, Equidade, Diversidade e Inclusão (JEDI) nos critérios de certificação das Empresas B.

A cofundadora do Coletivo Pretas B, Lygia Anthero, ressaltou a importância da consolidação da iniciativa, que completa quatro anos de atuação. Segundo ela, o crescimento do grupo demonstra a relevância da articulação entre mulheres negras e empresas comprometidas com a transformação social.
“Quando cofundamos o Coletivo Pretas B, começamos com apenas três mulheres. Em menos de duas semanas já éramos 50 e, hoje, somos cerca de 120 integrantes, além de uma fila de espera. Celebrar quatro anos do coletivo, dentro dos 20 anos do Movimento B Global, mostra que conquistamos solidez e relevância. Realizar um evento como este é um sinal claro de que é possível tratar pautas de gênero e raça de forma responsável, construindo soluções em parceria com as empresas”, destacou.
Protagonismo negro e mudanças climáticas
A primeira roda de debate teve a presença de Nalva Moura (Grupo Espaço Negro), Marcia Silveira (Fundação 1Bi), Soraia Mathias (AZZAS 2154) e Cecilia Izidoro (SGAADA/UFRJ), sob mediação de Agnes, do Grupo Iter, em um painel sobre governança e liderança, discutindo como conectar metas de diversidade às estruturas de poder das organizações, indo além do discurso e promovendo mudanças concretas em conselhos, diretorias e processos de decisão.
O segundo painel dedicado à justiça climática e inovação social, contou com a analista em Educação Climática do Centro Brasileiro de Justiça Climática, Maria Clara Salvador, Carolina Maciel (Instituto Alana), Thuane Nascimento (PerifaConnection) e Aimê Araújo (Instituto Guetto), com mediação de Juliette Antunes, do Sistema B Brasil.
Em entrevista ao NP, Maria Clara destacou que ainda falta espaço para que mulheres negras participem efetivamente das negociações sobre o clima.
“O que falta estar na mesa das negociações é a pauta das mulheres negras e o que elas conseguem propor enquanto soluções para os seus territórios, mas também como soluções globais. Nós somos propositoras de soluções ambientais dentro dos nossos territórios e protegemos esses espaços. Falta a nossa presença nos espaços de articulação global, falta a nossa energia estratégica e as soluções que temos a oferecer”, afirmou.
Ao final da programação, as participantes participaram de uma atividade de conexão e networking, reforçando a proposta do encontro de fortalecer redes entre mulheres negras que atuam na promoção da justiça climática, da equidade racial e da transformação dos modelos de governança no setor privado.
Post Views: 0
, https://noticiapreta.com.br/mulheres-negras-discutem-justica-climatica-e-governanca-em-encontro-promovido-pelo-coletivo-pretas-b-no-rio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=mulheres-negras-discutem-justica-climatica-e-governanca-em-encontro-promovido-pelo-coletivo-pretas-b-no-rio
