Fábio Emecê: Quebrado – Bocada Forte

Fábio Emecê: Quebrado – Bocada Forte

Na falta de sincronia de me entender na quebra e na verdade se perceber quebrado. Aqueles cacos que já se perderam depois de muitas varridas no piso de ardosia e ainda se há o risco de cortar o pé, caso ande descalço. Andamos descalços, não tem jeito. O sangue se mistura com a poeira e a sutura se torna mecanismo de defesa eterna contra os micropoderes e fanfarronices litúrgicas, tão naturais quanto sem sentido.

Vivemos o sufoco da vigília e a tentativa absurda de encaixes em regras de convivência em que a diligência é medida apenas pelo fato de se saber preencher mais um formulário, cabeçalho, planilha e se sentir apto a direcionar e decidir, apenas pelo fato de que existe uma função de ordenamento a se ocupar Não se prioriza o respiro, muito menos a ginga. E os rebocos se derretem com o calor, expondo a fragilidade da prateleira de livros mortos pela obsolescência cognitiva.

O trânsito precisa de bajulações. Precisa de conformações. Precisa de performances sobre disciplina e controle. Bons trabalhos podem ser apenas critérios de maus avaliadores. A legalidade é chula e a legitimidade enxuga lágrimas reprimidas. Tanta frustração, tanta… constantes testes sobre sua habilidade, sobre sua sagacidade, sobre sua identidade, sobre suas paradas. Zoam seu repertório, desarticulam seu alcance, enceram sua aderência. Se não invisível, sim subalterno.

O sim também vale pra ser interno. Internado em ambientes rítmicos dissonantes. O incômodo com o zunido não permite passes plásticos. Fuja da profissão de animar apáticos. Fuja da ideia de ser referência. Fuja da vontade de dar conselhos. Fuja do direito de reter informações. Não se seduza pela cadeira acolchoada da vez. Não me dê ouvidos, sou melancólico.

Tristeza profunda por ainda o rito me atravessar, fazendo-me vomitar ou apertar mais do se poderia durante do dia. Apelo pro desvínculo e há o medo de se descolar do sensível. Paradoxo. Abordagens assassinas e bufões com o botão da aniquilação é avassalador. Já foi desterrado da tentativa de propor possibilidades de partilha num territórios de bons esquemas, apesar dos bons esquemas sempre estarem em mãos de boas personas. Nunca foi o meu caso. Nunca será o meu caso.

A falta de bateria é das câmeras corporais dos agentes que nos matam sem perguntar quem somos. Não faço, muita das vezes, porque ninguém liga. Faço, quase sempre, porque ninguém liga. O tédio sistêmico diante das tentativas infinitas de desqualificação. O meu diploma foi jogado no lixo e deu preguiça de pedir uma segunda via. Os requerimentos sempre ignoram a pergunta chave. A violência é uma pedagogia dominante. O que perdi até agora? O vazio ainda é nutritivo.

Deslugarizado, desbatizado, deslocado, desvalorizado. Flerte com o carnal e o isolamento é cenário habitado pra alívio de dores sistêmicas. Me autoacuso de profano e ainda espero a denúncia sem a possibilidade de esconderijo. Nem na região abissal dá pra se esconder. Meu desempenho já perdeu a medição porque a mediação é fraudulenta. A lentidão não é motora. A minha patologia é continuar vivo, mesmo quebrado…

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