Rapper faz show às 20h, neste dia 21, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros
Fotos: Divulgação
Yannick Hara, um artista multifacetado, tem uma trajetória marcada pela busca incessante de sua identidade e pela exploração de diversas sonoridades e temáticas em sua música. Sua jornada artística é um reflexo de suas vivências, desde a infância até as experiências mais recentes, que moldaram sua visão de mundo e sua expressão criativa.
A plataforma curatorial Flotar desempenhou um papel crucial no início de sua carreira, conectando-o a oportunidades e eventos culturais. Através da Flotar, Yannick apresentou seu trabalho “Terra em Transe” e participou de editais, embora nem todas as tentativas de intercâmbio cultural, como as para o México e a França, tenham sido bem-sucedidas devido à alta competitividade.

Apesar dos desafios, Yannick encontrou uma oportunidade na Flipeba, a feira literária da ilha de Boipeba, em Salvador. A Flotar, patrocinadora do evento, o convidou para se apresentar, o que o levou a Salvador e, posteriormente, à ilha. Essa experiência em Salvador foi enriquecedora, permitindo-lhe fazer conexões com artistas locais, como Enio Ichi, que já trabalhou com nomes como Margarete Menezes e Carlinhos Brown.
Em Salvador, Yannick teve a oportunidade de se apresentar no Teatro Gamboa, um dos mais renomados da Bahia, participando de um projeto chamado “O Elo Real Transforma”, que enfatiza a importância do encontro real e da vivência autêntica. Essa experiência foi um marco em sua jornada, culminando na apresentação de “Terra em Transe” na Flipeba, que foi muito bem recebida pela comunidade local e pelos turistas.
A performance de “Terra em Transe” na Flipeba, com sua abordagem política e referências ao Cinema Novo de Glauber Rocha, ressoou profundamente com o público. Essa experiência em Salvador abriu portas para novas oportunidades, incluindo um show em Curitiba, no Conservatório da Música Popular Brasileira.
Foi após o sucesso em Salvador e a apresentação em Curitiba que Yannick recebeu um convite inesperado: uma missão na África do Sul. Embora esperasse ir para Recife, a oportunidade de viajar para Joanesburgo, ou “Joburg” como é conhecida localmente, se apresentou. Ele preencheu todos os pré-requisitos e embarcou para o continente africano.

JOANESBURGO
A viagem à África do Sul foi uma experiência transformadora para Yannick. Ele se deparou com uma realidade diferente, onde a prosperidade negra era visível e a história do apartheid e de Nelson Mandela se fazia presente. Seu pai, inclusive, foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU) e conheceu Mandela, o que adicionou uma camada pessoal à sua experiência.
Em Joanesburgo, Yannick teve contato com uma cena musical vibrante e profissional. Conheceu artistas como o rapper Maglera Dol Boy e participou do Global Creative Summit de 2025. A diversidade linguística da cidade, com 11 idiomas oficiais, incluindo o Zulu e o Afrikaans, e a forma única de cantar com cliques, o impressionaram profundamente.
Essa imersão cultural resultou em uma colaboração musical com artistas de Gana, Camarões e Joanesburgo, que será lançada em breve. A experiência na África do Sul também o inspirou a criar uma versão de “Terra em Transe” com sonoridade africana, explorando estilos como o amapiano e o house local.
Yannick percebeu a importância de se conectar com a “Mãe África”, a origem de tudo, e questionou a falta de informações sobre a cultura africana no Brasil, que muitas vezes é retratada de forma estereotipada. Ele passou sete dias na África do Sul, dedicando-se a fazer conexões e trocas musicais, sem tempo para o turismo convencional.
Seu trabalho mais recente, “Transita até em prosa”, é uma adaptação do roteiro do filme “As Falas” em poesia de rima falada, buscando dialogar com o sarau e o slam. Yannick se vê como um performer de teatro que também se adapta a festivais, baladas e apresentações em comunidades.
A equipe por trás de Yannick Hara é vasta e talentosa:
Produção de beats: CrackPiece (volumes 1 e 2) e March Blanco (EP).
Iluminação: Ricardo Silva.
Som (PA): Gah Góes
Monitor: Duda Abreu.
Projeção: Fábio (Ofavoart).
Produção de clipes: Gustavo Freoli (clipe “Acorde-me do Transe” e “A Revolta é Radical, A Mudança é Radical”).
Produção de campo: Ligia da Bento Produtora.
Fotografia: Gustavo Diakov.
Audiovisual: Paulo Brasyl
Filmagens e arte de flyers: Dy Fuchs
DJ: Jab Cut.
PERSONALIDADE
Yannick Hara sustenta sua música na liberdade de criação e na autenticidade. Ele não tem medo de ser quem é, uma postura que, segundo ele, “custa caro” mas é essencial. Sua trajetória é marcada por influências diversas, desde o rap norte-americano e nacional até o rock, post-punk e punk, com a influência de seu “tio de consideração” Clemente.
Ele buscou sua identidade em projetos como “Afro Samurai”, onde explorou sua ancestralidade como filho de pai preto e mãe japonesa. Em “Caçador de Android”, mergulhou no universo cyberpunk. Com a pandemia, ele se voltou para o Cinema Novo e a obra de Glauber Rocha, transformando o roteiro de “Terra em Transe” em rap, com o intuito de exaltar a cultura brasileira.
O próximo passo de “Terra em Transe” é se conectar com ritmos brasileiros como o coco e o frevo, buscando uma sonoridade ainda mais abrasileirada. Yannick acredita que o rap tem raízes na embolada nordestina, desafiando a narrativa de que o gênero é exclusivamente americano.
A trilogia de “Terra em Transe” está em andamento, com o lançamento de “La Transe” (Terra em Transe em francês) previsto para 2027. Ele também tem outros projetos em desenvolvimento, como “Caçador de Android 2”, que mistura rap com EBM industrial e conta com a participação de X do Câmbio Negro, e “Adicto”, um álbum de trip hop que aborda sua história com o alcoolismo e as drogas.
Yannick Hara, aos 42 anos, demonstra uma produtividade impressionante, com projetos planejados para os próximos 10 anos. Sua correria mostra a importância da autenticidade, da busca pela identidade e da valorização da cultura brasileira no Hip-Hop.
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