SC lidera registros de ameaças contra mulheres e crimes de racismo

SC lidera registros de ameaças contra mulheres e crimes de racismo

Santa Catarina registrou, em 2025, a maior taxa de boletins de ocorrência por ameaças contra mulheres e também liderou o país em registros policiais de crimes de racismo. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e revelam um cenário preocupante, apesar de o estado apresentar a menor taxa de mortes violentas intencionais do Brasil. 

De acordo com o levantamento, Santa Catarina contabilizou 1.733 registros de ameaça contra mulheres para cada 100 mil habitantes em 2025. O índice é mais que o dobro da média nacional, de 720,9 ocorrências por 100 mil mulheres. Na sequência do ranking aparecem Amapá, com taxa de 1.491, e o Distrito Federal, com 1.477 registros por 100 mil mulheres. 

Além da liderança nas ameaças, o estado também apresentou a maior taxa de registros de crimes de racismo do país. O anuário aponta que os números refletem ocorrências registradas pelas forças de segurança pública e podem indicar tanto uma maior incidência quanto uma ampliação das denúncias e dos registros oficiais desse tipo de crime. 

violência contra mulher – Freepik

Outro indicador que chama atenção é o de descumprimento de medidas protetivas de urgência, concedidas com base na Lei Maria da Penha. Santa Catarina aparece entre os estados com os maiores índices do país, registrando 93,8 casos para cada 100 mil mulheres, evidenciando dificuldades no cumprimento das determinações judiciais voltadas à proteção de vítimas de violência doméstica. 

Em contrapartida, o estado apresentou o melhor desempenho nacional no indicador de mortes violentas intencionais. Santa Catarina superou São Paulo e registrou a menor taxa de homicídios do país em 2025, demonstrando que a redução da violência letal não significa, necessariamente, a diminuição de outras formas de violência, especialmente aquelas direcionadas às mulheres e à população negra. 

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforçam que a violência de gênero e o racismo continuam sendo desafios relevantes no país. Especialistas destacam que o aumento dos registros pode refletir uma maior disposição das vítimas em denunciar, mas também evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, ao acolhimento das vítimas e à responsabilização dos agressores.

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