O Brasil registrou aumento nos casos de racismo e injúria racial entre 2024 e 2025, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23). Os registros de racismo cresceram 13% no período e chegaram a 30.743 ocorrências, enquanto os casos de injúria racial aumentaram 9,2%, totalizando 21.433 registros.
Embora os números indiquem crescimento das ocorrências, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), responsável pelo estudo, destaca que ainda há dificuldades para medir a real dimensão da violência racial no país. O relatório aponta que os estados brasileiros utilizam critérios diferentes para registrar os crimes, o que compromete a padronização das estatísticas e dificulta a comparação entre as unidades da federação.
O anuário mostra que houve avanço na quantidade de estados que informam esses dados ao longo dos últimos anos. Em 2018, apenas 18 unidades da federação registravam os casos de racismo monitorados pelo levantamento. Em 2025, esse número passou para 26. No caso da injúria racial, a cobertura aumentou de 21 para 25 estados no mesmo período. Ainda assim, o estudo ressalta que nenhum dos crimes monitorados possui cobertura nacional completa.
Pela primeira vez, o FBSP também consultou os estados sobre a forma como classificam os registros de injúria racial e racismo. As respostas revelaram que não há um padrão nacional para contabilizar esses crimes. Segundo o relatório, alguns estados registram a injúria racial separadamente, enquanto outros a incluem nas estatísticas de racismo, mesmo após as mudanças na legislação.

Para o Fórum, essa falta de uniformidade evidencia uma distância entre a violência sofrida pelas vítimas e o reconhecimento institucional desses crimes. O estudo afirma que, apesar dos avanços legais, a proteção jurídica ainda não se traduz em um sistema de registro consistente em todo o país.
O relatório também avalia que o aumento das notificações pode refletir uma maior procura das vítimas por reconhecimento e justiça. Ao mesmo tempo, ressalta que o crescimento dos registros não significa redução da discriminação, mas demonstra que a violência racial continua presente no cotidiano da população negra.
Outro destaque do levantamento é a mudança observada desde 2024 na classificação dos crimes. Pela primeira vez, o número de registros de racismo superou o de injúria racial. Para o FBSP, esse movimento está relacionado à aplicação da Lei nº 14.532/2023, que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, além de iniciativas para uniformizar a interpretação da legislação, como o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, publicado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Entre os estados, Santa Catarina apresentou a maior taxa de registros de racismo, com 32,8 casos por 100 mil habitantes, seguida pelo Distrito Federal (30,3) e pelo Rio Grande do Sul (26,8). Nos casos de injúria racial, as maiores taxas foram registradas no Distrito Federal (28,9), em Santa Catarina (27,1) e em Mato Grosso (20,6), acima da média nacional de 11,2 casos por 100 mil habitantes.
O Anuário também registrou crescimento dos casos de racismo motivados por homofobia ou transfobia. Entre 2024 e 2025, esse tipo de ocorrência aumentou 35,6%, passando para 3.481 registros, o maior crescimento percentual entre os crimes monitorados pelo levantamento.
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