76% dos terreiros já sofreram racismo religioso, diz pesquisa

76% dos terreiros já sofreram racismo religioso, diz pesquisa

O racismo religioso continua afetando a maioria dos terreiros de religiões de matriz africana no Brasil. Pesquisa divulgada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) mostra que cerca de 76% desses espaços já foram alvo de discriminação, enquanto oito em cada dez integrantes afirmam ter sofrido agressões motivadas por sua religião. Os dados foram apresentados durante um seminário realizado em Brasília para discutir políticas públicas voltadas à proteção da liberdade religiosa.

O levantamento faz parte da segunda edição da pesquisa Respeite o Meu Terreiro, desenvolvida pelo MDHC em parceria com a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras em Saúde (RENAFRO Saúde), o Terreiro Ilê Omolu Oxum e o Laboratório de Museologia Experimental da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (LAMEX/UniRio). Ao todo, foram ouvidos integrantes de 511 terreiros, principalmente de umbanda e candomblé.

Além das agressões presenciais, o estudo aponta que o ambiente digital também tem sido palco de ataques. Cerca de 52% dos entrevistados relataram episódios de racismo religioso em plataformas como Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e X.

76% dos terreiros já sofreram racismo religioso, diz pesquisa
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Quando questionados sobre formas de enfrentar o problema, 30% dos participantes defenderam campanhas de conscientização da sociedade como principal medida. Outros 18% apontaram a adoção de ações judiciais como estratégia para responsabilizar os autores das agressões. Em relação ao acolhimento, 48% disseram encontrar apoio dentro de casa e o mesmo percentual afirmou recorrer à polícia especializada após sofrer discriminação.

A pesquisa também identificou que metade dos entrevistados percebe mudanças desde a criação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Durante o seminário, representantes do governo federal, da RENAFRO Saúde e de instituições de pesquisa discutiram os resultados e os desafios para combater a intolerância religiosa.

O evento também apresentou dados do Disque 100. Entre 2023 e 2026, o serviço registrou 1.216 denúncias de racismo religioso. Em 2025, a plataforma recebeu mais de 2,3 milhões de acessos, que resultaram em mais de 650 mil denúncias de violações de direitos humanos em diferentes áreas.

São Paulo, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte concentram cerca de 23% dos registros de racismo religioso no país. O Disque 100 funciona 24 horas por dia e recebe denúncias por telefone, WhatsApp, Telegram e outros canais.

Durante o seminário, o MDHC também lançou uma nova seção sobre liberdade religiosa na plataforma Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), com o objetivo de ampliar a produção de dados e subsidiar políticas públicas de enfrentamento ao racismo religioso.

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