O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou uma investigação para apurar a atuação de policiais militares que entraram armados na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, na zona oeste da capital paulista, após um pai denunciar uma atividade pedagógica envolvendo um desenho da orixá Iansã. A decisão foi tomada após a divulgação de imagens das câmeras corporais dos agentes, que reacenderam o debate sobre intolerância religiosa, autonomia escolar e os limites da atuação policial em ambientes de ensino.
O episódio ocorreu em novembro de 2025. Na ocasião, um pai de uma aluna de 4 anos, que é policial militar, alegou que a filha estaria sendo obrigada a participar de uma “aula de religião africana”. No dia anterior ao acionamento da PM, ele já havia ido à escola e retirado do mural um desenho produzido pela criança durante a atividade.
Segundo a direção da unidade, a atividade fazia parte do currículo da rede municipal e utilizava o livro Ciranda de Aruanda, que apresenta personagens inspirados em orixás para trabalhar aspectos da cultura afro-brasileira. A Secretaria Municipal de Educação afirmou que o conteúdo está alinhado ao Currículo da Cidade e ao cumprimento das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas brasileiras.

Imagens mostram discussão entre PM e diretora
As gravações das câmeras corporais mostram um tenente discutindo com a diretora da escola. Durante a conversa, o policial afirma que a educadora estaria tentando “ditar sua ideologia”, enquanto a diretora explica que a atividade integra o currículo oficial e não corresponde ao ensino religioso.
Nas imagens, a gestora também questiona a presença de um efetivo armado dentro de uma escola de educação infantil para tratar de uma divergência sobre conteúdo pedagógico. Ela relata que se sentiu coagida durante a abordagem.
Polícia Civil arquivou investigação sobre a conduta dos PMs
Antes da abertura da apuração pelo Ministério Público, a Polícia Civil concluiu um inquérito entendendo que os policiais seguiram os protocolos operacionais previstos para o atendimento da ocorrência. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o armamento permaneceu preso à correia durante toda a ação e que a equipe foi acionada para atender uma ocorrência de desentendimento em ambiente escolar.
Entretanto, a divulgação das imagens levou o Ministério Público a abrir uma nova frente de investigação para verificar se houve abuso de autoridade, violação de direitos fundamentais ou prática de discriminação religiosa por parte dos agentes envolvidos.
Leia também: Federação Inglesa aumenta punição mínima para casos de racismo no futebol
Post Views: 0
, https://noticiapreta.com.br/ministerio-publico-vai-investigar-entrada-de-pms-armados-em-escola-apos-denuncia-sobre-desenho-de-orixa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ministerio-publico-vai-investigar-entrada-de-pms-armados-em-escola-apos-denuncia-sobre-desenho-de-orixa
