Uma força-tarefa de combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo contemporâneo identificou um esquema de exploração sexual que mantinha mulheres submetidas a dívidas permanentes, punições financeiras e condições precárias de trabalho e moradia. Até o momento, a Operação Donos da Noite já resgatou 22 mulheres, sendo quatro em Pernambuco e 18 na Paraíba. As investigações continuam para identificar novas vítimas e apurar as responsabilidades trabalhistas e criminais dos envolvidos.
Em Pernambuco, quatro vítimas foram resgatadas em um estabelecimento localizado em Goiana, na Zona da Mata Norte. A ação integra a Operação Donos da Noite, conduzida pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.
As investigações apontaram que as mulheres eram obrigadas a pagar pelos próprios itens de alimentação, higiene pessoal, roupas, perfumes, procedimentos estéticos e manutenção de mega hair. Os preços eram definidos pelos responsáveis pelos estabelecimentos e acabavam gerando dívidas constantes. Em diversos casos, as trabalhadoras passavam semanas sem receber qualquer remuneração.

A fiscalização também encontrou elementos que caracterizam servidão por dívida. Segundo os auditores, as vítimas permaneciam vinculadas ao esquema devido ao acúmulo de débitos e à dificuldade de quitá-los. Além disso, elas ficavam à disposição dos responsáveis desde a tarde até a madrugada, aguardando clientes mesmo quando não realizavam programas.
Os relatos reunidos pela operação indicam ainda a existência de metas de venda de bebidas e petiscos. O descumprimento dessas metas gerava multas que eram incorporadas às dívidas. As mulheres também sofriam pressão para continuar trabalhando quando estavam doentes, indispostas ou menstruadas. Em algumas situações, a recusa em atender clientes resultava em punições financeiras.
Os agentes encontraram quartos coletivos com pouca ventilação, problemas de higiene e instalações sanitárias inadequadas. Em alguns casos, os mesmos espaços eram utilizados simultaneamente para moradia e exploração sexual.
A força-tarefa informou que os estabelecimentos fiscalizados faziam parte de uma rede que atuava em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Há indícios de recrutamento e transferência de mulheres entre unidades do grupo para fins de exploração sexual.
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