Por: Fábio Emecê
Ao atravessar a rua, desviei de um distraído numa bicicleta. Ele leva um susto e me manda tomar no cu. Olho atônito, sem reação aparente. Recortes belicosos emergem na alma sem nenhuma garantia de reações apropriadas. Apelo pro clichê da falta de respeito para se explicar alguma coisa. Encanto? Lamento? Qualquer merda que alivie o sentimento melancólico. Não consigo!
Ruas desbotadas em que se vê cada vez menos estripulias. A mídia local se preocupa em denunciar furtos de placas metálicas. Fracionamento constante de reparos com base do diâmetro do prédio pomposo. O que se poda, o que se escapa, o que se esconde, o que trava? Poucas possibilidades além da sua possibilidade de apenas não gastar energia com apáticos. A costura da cidade se perde nas linhas puídas de quem procura um pretexto pro impacto violento. A diagramação não supera a programação, nem chega perto de esgarçar.
Quer posar? Os holofotes disponíveis são os ativos financeiros no qual não se irá nem tatear. Apenas ceite o design sugador de dopamina. Pressões sobre adaptação de linguagens sem se preocupar com primeira, segunda e quaisquer chamadas. Fugas são mapeadas para se tornar impossíveis. O que se descortina pra além da narrativa distópica? Não se recupera momentos quiçá arquivos. Os cursos de serviçais tão espalhados por aí e quem sabe, de fato, externar seu desejo?
Peso de quais dias? Aquele em que se deixou a bebida esquentar? Aquele que se perdeu o ansiolítico? Aquele da leveza momentânea da chapação? No sentido entre a normalidade e a necessidade do prazer, imagens de poder são ensinados nos bancos escolares. Quem se obedece e qual será sua postura de obediência. Não há abraço nem simulado que recupere a nota perdida na integração civilizatória.
Apenas dois segundos pra se buscar um alívio. Qualquer alívio, qualquer desvio da sensação de pânico em que o cronista dos caos já evidencia faz tempo, sem nenhuma leitura apurada. Lide com vaidosos que esperam a aprovação eterna do parente ausente. Os personagens nem sempre são definidos por suas falas e atitudes. Por que ainda se acredita que dá pra se evitar a burla? Não se repara o cenário e a ação é não ultrapassa o espasmo.
Uma lembrança de infância foi o frenesi da rua em acompanhar um cara espancando uma mulher de forma explícita. Ninguém separou. Apenas euforia e vontade da desconfiguração da pele a partir da porrada mais forte, mais forte, mais forte! Os ambientes simulados dominam e falta dimensionamento da intensidade. Frases de efeito em ordem aleatória e vontade de números cheios pra se provar a tese de que questionários não fazem ninguém ficar rico.
A violência é uma tecnologia avassaladora. A ambição é de riqueza, de reverência, de apreço, de estima, de consideração, de atenção. Acabou a cortesia. A educação é a rolagem infinita de conteúdos amorfos. A gentileza é apenas um método de se tirar vantagem. Homenagem transmutada no busto escondido na praça central. A reserva possível não dialoga com a prevenção do perigo. A pista anda bruta. Criadouro de tiranos. A pista é hostil e não há antídoto pro constrangimento. Atroz…
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