#ElasNoBF: MC Luanna fala sobre identidade e autonomia nas dez faixas de ‘Irrefreável’ – Bocada Forte

#ElasNoBF: MC Luanna fala sobre identidade e autonomia nas dez faixas de ‘Irrefreável’ – Bocada Forte

Como parte significativa das minas que estão conquistando espaço na cena musical que vai do rap ao pop, MC Luanna, em seu álbum “Irrefreável”, articula identidade, autonomia e confronto em suas letras. Em beats e timbres construídos por  Mello Santana, Maunatrack, Iknowfelipe, Greezy e Brunoso no Beatque, a escrita da artista evita abstrações, mantendo sua base em afirmações objetivas sobre vivência, escolhas e limites.

De acordo com a artista, a mixtape “Irrefreável” foi apresentada em um momento de retomada criativa, mas sem uma estrutura pré-definida. O projeto não surgiu como resultado de sua luta para combater um período de bloqueio criativo e da necessidade de voltar a produzir.

Esse processo de criação fragmentado explica a ausência de uma narrativa linear entre as faixas. As músicas não foram pensadas como uma continuidade umas das outras, mas mantêm uma proximidade temática, conectadas pela repetição de temas.

O primeiro indicativo dessa nova fase foi o lançamento de “Esconde Sua Namorada”, que antecipa a abordagem direta presente no restante do material. A mixtape reduz a carga introspectiva e incorpora faixas com uma abordagem mais leve, incluindo aproximações com o funk em “Ainda Sento No Meu Ex”.

Em “M.P.G”, a artista constrói uma leitura sobre a mulher preta a partir de força e percepção social. O verso “Minha mãe não me fez fraca…” mostra como essa mulher é enquadrada no cotidiano e como ele opera seus movimentos em meio ao contexto desfavorável.

A relação com dinheiro e carreira aparece vinculada à autonomia. Luanna afirma ter recusado propostas financeiras para manter coerência com o próprio trabalho, deslocando o foco para o controle criativo e a definição de valor. O trecho em que define as rimas como seu principal negócio indica que o reconhecimento passa pelo que ela produz, não pelo que é oferecido externamente.
A noção de progresso surge associada ao “corre”. Em “Não Sou Do Pouco”, metas materiais aparecem de forma explícita, sem tentativa de disfarce ou idealização. O avanço financeiro é tratado como resultado de foco e continuidade, sem romantização, sem conversinha.

CONHEÇA A DISCOGRAFIA DA MC LUANNA

Em “Esconde Sua Namorada”, a artista confronta leituras simplificadas sobre orientação sexual e estabelece sua preferência sem buscar validação externa.
A crítica ao racismo aparece com linguagem frontal. Em “M.P.G”, a responsabilização é colocada de forma direta, sem metáforas ou suavizações. O discurso aponta para consequência e não para conciliação. A relação com a visibilidade também é tensionada em “M.P.G”, a distinção entre ser visto e ser compreendido indica uma crítica à leitura superficial sobre sua imagem.

Relações afetivas aparecem sob o recorte de autonomia. Em “Amiga Esse Homem Te Apaga”, a orientação é romper com situações que anulam a individualidade. A escolha por sair da relação é colocada como uma decisão prática.

Em “Mulher Adulta Faz Assim”, a figura construída é de alguém que estabelece critérios e conduz suas ações com objetivo definido. A maturidade aparece ligada à capacidade de recusa e de direcionamento.

“Irrefreável” trabalha a ideia de percurso com obstáculos. A frase “eu te amo, mas me escolho” sintetiza a lógica que atravessa o conjunto da obra, onde as relações não anulam a centralidade de suas escolhas. “Troca” introduz variações de postura sem alterar o núcleo da identidade, com a mudança aparecendo como estratégia. Aperte o play!

, https://www.bocadaforte.com.br/destaque-bf/elasnobf/elasnobf-mc-luanna-fala-sobre-identidade-e-autonomia-nas-dez-faixas-de-irrefreavel

Autor