A vereadora Maiara Felício (PT), de Nova Friburgo, afirmou que as ameaças sofridas durante uma atividade partidária representam um caso de violência política de gênero e cobrou medidas mais efetivas para proteger mulheres que exercem mandatos eletivos. Em entrevista após registrar ocorrência na 151ª DP, a parlamentar relatou que o episódio foi precedido por outros comportamentos semelhantes do mesmo homem e disse que o caso expôs a vulnerabilidade enfrentada por mulheres na política.
Maiara contou que participava de uma agenda do Partido dos Trabalhadores quando foi abordada por um homem que alegava não ter recebido acolhimento do gabinete. Segundo ela, a equipe tentou explicar que já haviam sido oferecidas atividades de acompanhamento, mas a conversa evoluiu para ofensas e ameaças. A situação se agravou a ponto de exigir a intervenção da Polícia Militar. “Começou a me agredir verbalmente e me proferindo ameaças durante toda essa atividade. Escalou pra um lugar que as pessoas não conseguiam mais me deixar livre e eu precisei chamar a polícia”, afirmou.
Durante o registro da ocorrência, a vereadora disse ter sido informada de que o homem já possuía mais de 20 registros relacionados a comportamentos semelhantes. Ela também afirmou que outras mulheres relataram situações parecidas, incluindo uma servidora da Câmara que já havia registrado boletim de ocorrência contra ele.
A parlamentar informou que solicitou medidas de proteção e pediu que o homem fosse impedido de acessar a Câmara Municipal. Embora a presidência da Casa tenha informado que ele não poderia mais entrar no prédio, Maiara afirmou que voltou a encontrá-lo nas dependências da Câmara dias depois, o que aumentou sua sensação de insegurança.
“Me deu uma insegurança porque a gente espera que uma casa de poder proteja seus parlamentares”, declarou. Ela acrescentou que parlamentares não dispõem de recursos para custear segurança particular e dependem do apoio institucional para exercer o mandato.

Maiara também relacionou o episódio à condição de ser mulher e integrante da oposição no Legislativo municipal. Segundo ela, nenhum vereador homem passou por situação semelhante durante atividades políticas e o comportamento do agressor mudava quando outros homens se aproximavam.
“Entendo isso como uma violência política de gênero porque foi interrompida… nenhum outro vereador ao qual ele passou nos gabinetes foi questionado ou foi interrompido em alguma agenda”, afirmou.
Ao comentar a repercussão do caso, a vereadora disse que o momento mais difícil não foi o medo, mas a percepção de que episódios anteriores não impediram novas ocorrências. “A minha emoção ali… era pela certeza da impunidade”, declarou.
Para outras mulheres, Maiara deixou um apelo para que casos de violência não sejam silenciados. “Nós não podemos naturalizar, não podemos permitir que o silêncio exista quando a violência [é] direcionada aos nossos corpos e às nossas vivências… o silêncio ele não pode permanecer”, concluiu.
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