Libra 2 – O Álbum antes do álbum de Eazy Kaos
Libra 2 – O Álbum antes do álbum é o mais recente projeto lançado por Eazy Kaos em novembro de 2025. O trabalho reúne oito faixas com pouco mais de 29 minutos de duração e foi disponibilizado por seu próprio selo, Solta a Voz Preto Produções.
O álbum traz um repertório que transita entre momentos introspectivos, confrontos internos e colaborações com outros nomes da cena. A lista de faixas inclui: “A Lâmina Oculta”, “Eu Mesmo e Eu”, “Síndrome de Estocolmo” com participação de Gueto Organizado, “Vocês Me Odeiam”, “O Sonhador”, “Ponto de Guerra” com UTPK, “Conflito Interno” e “Manhã de Domingo”.
O disco combina declarações de identidade com tensão narrativa. “Conflito Interno”, a melhor faixa do trabalho, explode a mente do ouvinte com tretas e diálogos reveladores. Libra 2 mescla rap com elementos de soul e boom bap contemporâneo. As participações de Gueto Organizado e UTPK reforçam a conexão do artista com figuras significativas do rap independente brasileiro.
Revisitando Memórias Vol. 1
A nova mixtape de Eazy Kaos reúne 13 releituras de faixas que ajudaram a consolidar o rap brasileiro nos anos 1990. O repertório percorre diferentes frentes do período, de São Paulo a Brasília, passando por grupos que estruturaram estética, discurso racial e crítica social no país.
Estão no disco nomes como Thaíde & DJ Hum com “Noite” e “Não Seja Tolo”, Racionais com “Homem Na Estrada”, GOG em “Razão Para Viver”, além de Facção Central, Pavilhão 9, D.M.N., R.P.W., Sistema Negro, Rap Sensation, Alvos da Lei, M.R.N. e Pepeu.
Segundo Kaos, o projeto nasceu de forma espontânea. Ele produzia beats diariamente e utilizava acapellas como referência para demonstrar possibilidades sonoras a clientes. O uso de vocais do rap nacional tornou o processo mais concreto. A ideia evoluiu para uma mixtape que funcionasse ao mesmo tempo como homenagem a seus heróis e heroínas do gênero e como vitrine de seu trabalho como beatmaker. A partir daí, a curadoria passou a seguir exclusivamente seu gosto pessoal.
As músicas escolhidas remetem a um período de criatividade em ascensão, marcado por disputas estéticas e afirmação de discurso. Kaos relembra que muitas dessas faixas faziam parte de sua formação ainda na adolescência, quando escrevia letras carregadas de revolta e buscava espaço no cenário. Em meados dos anos 1990, vivia a transição entre rimar sem planejamento e tentar se inserir profissionalmente no rap. Ao lado de Ricco e Pacheco, desenvolvia os primeiros sons do Facção-Ant $istema, tendo boa parte dessas referências como base para o próprio estilo.
O processo de produção partiu de uma escuta técnica das versões originais. Kaos extraiu acapellas com auxílio de inteligência artificial e imaginou como seria receber esses artistas em seu home studio nos dias atuais. A partir desse exercício, pensou nos arranjos como se fosse o produtor original das faixas.
Em “Homem Na Estrada”, por exemplo, ele propõe uma leitura mais sombria e intimista, próxima de um beat drumless, deslocando o clássico dos Racionais MC’s para uma atmosfera densa e minimalista. Já “Noite”, de Thaíde & DJ Hum, ganha andamento mais acelerado, com forte presença de percussão e referências que dialogam com a escola de Pharrell Williams e The Neptunes.
A mixtape alterna instrumentais mais pesados com outros de ambiência alternativa, ampliando o espectro sonoro dos originais sem apagar sua carga histórica. Para Kaos, o resultado contribui para recontar parte da trajetória do rap brasileiro em linguagem atual, aproximando esse repertório de ouvintes mais novos e reafirmando a força de um catálogo que segue em circulação.
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