#ElasNoBF: Rappers de Vilhena, em Rondônia, constroem cenário de resistência feminina por meio do hip hop – Bocada Forte

#ElasNoBF: Rappers de Vilhena, em Rondônia, constroem cenário de resistência feminina por meio do hip hop – Bocada Forte

Vilhena é uma cidade com cerca de 100 mil habitantes, localizada a mais de 700km da capital, Porto Velho.

Essa cidade tem ficado em evidência através das mulheres no rap. No dia 30 de maio, as rappers Thais Santos e Karem Lopes venceram a Batalha do Centro – Edição Manas.

O evento ocorreu durante a programação da Semana da Música do Casarão, em Porto Velho.

Foi a maior batalha de rappers mulheres já realizada em Rondônia, com oito MCs, três cidades e dois estados. Rio Branco, Vilhena e Porto Velho tiveram manas representando.

 

Thaís está construindo uma história de conquistas em eventos interestaduais

Para entender a força das vilhenenses é preciso contextualizar que em cerca de 48h elas fizeram o trajeto de ida e volta de Vilhena para Porto Velho apenas para participar da batalha.

Uma viagem de ônibus para a capital do estado pode durar entre 12 e 16 horas, por trajeto.

Outra barreira que elas enfrentam é o conservadorismo.

Tanto a cidade de Vilhena como o estado de Rondônia foram fundados durante a ditadura militar.

A cidade foi fundada em 1969 e emancipada em 1977. Já a fundação do estado ocorreu em 1981. Vilhena recebeu imigrantes, com ênfase em pessoas do Sul do Brasil, que conservam as tradições gaúchas em Rondônia.

O agronegócio é uma das principais fontes de renda da cidade. Nas eleições presidenciais, a extrema-direita mostrou domínio, com mais de 80% dos votos em todos os turnos nos últimos dois pleitos.

Em meio a esse contexto, as vozes femininas insurgem. Desde 2023, Thaís Santos passou a estar presente na organização das batalhas de MCs de Vilhena, com destaque para a Batalha VHA.

Em 2024, Thaís apresentou a final do Duelo Estadual de MC’s. Em 2025, conquistou o vice-campeonato da Batalha do Fórum do Movimento Hip Hop de Rondônia, que contou com participantes de quatro cidades.

Na verdade, os bastidores da cena de Vilhena são dominados pelas manas. Outro nome de impacto é Bah Ióri, multiartista que é agente territorial no estado e passou a organizar a parte burocrática da batalha.

Sob liderança de Bah Ióri, Vilhena passou a captar recursos para o hip hop.

Um dos projetos mais importantes foi a criação de um palco público, feito de grafite, mas essa obra chegou a ser destruída pela Prefeitura de Vilhena, sendo reconstruída apenas depois de mobilização dos artistas da cidade.

Bah tem uma raiz na arte circense, mas também canta rap e foi destaque do Fórum das Mulheres do Hip Hop em 2025, tanto na função de debatedora do primeiro encontro focado em mulheres no hip hop, como também se apresentando como artista.


Karem (no mic) estreou em uma competição fora de Vilhena já com título

A rapper Karem é mais jovem e surgiu já se destacando nas batalhas e no slam. Ela foi vice-campeã do primeiro slam ocorrido na cidade, que foi realizado em 2025, assim como também conquistou ao lado de Thais a primeira Batalha das Manas.

Thaís e Karem foram homenageadas com uma poesia do Fabio Brazza, artista que também participou da programação da Semana da Música, em que a Batalha das Manas foi uma das destaques.

Além disso, subiram no palco para rimar com Fabio Brazza e ganharam um curso de escrita criativa do rapper.

 

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