A Cidade e as Mulheres: Um Chamado por Políticas Urbanas Inclusivas – Bocada Forte

A Cidade e as Mulheres: Um Chamado por Políticas Urbanas Inclusivas – Bocada Forte

A falta de planejamento urbano interseccional agrava as desigualdades de gênero nas cidades brasileiras

As cidades brasileiras, historicamente moldadas pelas necessidades de grupos dominantes, revelam uma realidade desafiadora para as mulheres, que enfrentam medo e insegurança em seus deslocamentos urbanos. Durante a audiência pública “Mulheres, Cidade e Segurança”, realizada na Câmara Municipal de Curitiba, especialistas enfatizaram a necessidade de um planejamento urbano que considere as especificidades de gênero, raça e classe. A pesquisa apresentada pelo Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles destacou que, sem essa abordagem interseccional, as cidades continuarão a reproduzir desigualdades, tornando a vida das mulheres ainda mais difícil em espaços públicos e na mobilidade urbana.

A pesquisa revelou que as mulheres, em sua maioria, utilizam transporte público e fazem trajetos mais complexos, frequentemente relacionados a atividades de cuidado, enquanto os homens tendem a ter deslocamentos diretos. Essa dinâmica não só aumenta a vulnerabilidade das mulheres, especialmente aquelas de baixa renda, mas também reforça a ideia de que o espaço público é um domínio masculino. A professora Geisa Bugs, presente na audiência, apontou que a violência de gênero é mais intensa durante o dia, desafiando a noção de que áreas movimentadas são mais seguras. A dependência do transporte público e a falta de infraestrutura adequada agravam a situação, expondo as mulheres a riscos maiores em suas rotinas.

Para enfrentar essas questões, é fundamental que as políticas públicas urbanas sejam repensadas de forma a integrar as necessidades das mulheres. Isso inclui garantir segurança em espaços públicos, melhorar a iluminação e a manutenção de áreas de lazer, além de ampliar o acesso a serviços essenciais como saúde e educação. A proposta é que as mulheres sejam protagonistas na construção de políticas que afetem suas vidas, reconhecendo o cuidado como uma responsabilidade coletiva e essencial para a qualidade de vida nas cidades. O fortalecimento das vozes femininas é crucial para que as cidades deixem de ser espaços hostis e se tornem verdadeiramente inclusivas.

Leia aíntegra do artigo no Brasil de Fato (https://www.brasildefato.com.br/)

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