#ElasNoBF: Wild Wild Women reorganiza presença feminina no Hip-Hop indiano
O crescimento do rap indiano nos últimos anos tem sido acompanhado por disputas internas sobre linguagem, mercado e representatividade. Nesse cenário, o coletivo Wild Wild Women, formado em Mumbai no fim de 2020, surge como uma intervenção direta em uma cena historicamente dominada por homens. Criado por Krantinaari e HashtagPreeti, o grupo reúne MCs de diferentes origens e trajetórias, articulando uma proposta coletiva que combina música, performance e posicionamento político dentro e fora do palco.
Composto por HashtagPreeti, Krantinaari, MC Mahila, JQueen e Pratika, além das b-girls/breakdancers FlowRaw e MGK, e a grafiteira Gauri Dabholkar, o grupo se estrutura como um coletivo ampliado que inclui também dançarinas, artista visual e outras colaboradoras. A formação reflete uma lógica de crew que extrapola o rap, incorporando elementos do hip-hop como dança e graffiti. Essa construção coletiva nasce de encontros em cyphers e redes informais, consolidando uma base de atuação que mistura prática artística e articulação entre mulheres em um ambiente frequentemente hostil à presença feminina.
A projeção internacional veio a partir de um momento específico: o vídeo da faixa “Game Flip”, apresentado em um show do circuito Sofar em Mumbai, viralizou nas redes e alcançou milhões de visualizações. O impacto foi imediato, ampliando a circulação do grupo e abrindo espaço em festivais e turnês, incluindo apresentações na Europa. Diferente de outros artistas que estruturam sua presença digital a partir de lançamentos constantes, o coletivo prioriza o palco como eixo central, acumulando repertório ao vivo antes de consolidar a discografia.
As apresentações com saris, combinados a tênis e coreografias coletivas, funcionam como uma escolha visual e política, conectando tradição e contemporaneidade. A opção não se limita ao figurino: há uma tentativa de reposicionar a imagem da mulher no Hip-Hop indiano, rompendo tanto com padrões ocidentalizados quanto com expectativas conservadoras locais. As letras acompanham essa direção ao abordar experiências pessoais, desigualdade de gênero e pressões sociais, em uma combinação de idiomas que inclui hindi, marathi, tamil, kannada e inglês.
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