Estudo do Lab Humanidades, da AlmapBBDO, revela que adolescentes brasileiros ainda são criados sob regras diferentes de gênero e que desigualdade impacta saúde mental, autoestima e autonomia
Meninas e meninos continuam sendo educados de formas diferentes dentro das famílias brasileiras. É o que mostra o estudo “AdoRlescência”, realizado pelo Lab Humanidades, núcleo de pesquisa da AlmapBBDO, em parceria com a Netflix Ads. A pesquisa ouviu mais de 2.800 pessoas entre adolescentes, pais e adultos de diferentes regiões e classes sociais do país.
Segundo o levantamento, 74% dos adolescentes acreditam que meninas recebem menos liberdade do que meninos. Entre as próprias meninas, o índice sobe para 82%. O estudo aponta que, enquanto os meninos costumam ser incentivados à descoberta e à experimentação desde cedo, as meninas crescem sob uma lógica de maior vigilância, proteção e controle.

A pesquisa afirma que essa diferença atravessa diversas áreas da vida, como autoestima, sexualidade, ocupação de espaços e relação com o próprio corpo. Os pesquisadores chamam esse processo de “pedagogia do risco desigual”: para os meninos, errar e experimentar faz parte do crescimento; para as meninas, o risco costuma ser tratado como ameaça.
Rita Almeida, líder do Lab Humanidades e responsável pelo estudo, relaciona o cenário ao avanço da misoginia no Brasil. Segundo ela, a desigualdade de gênero começa dentro de casa, nas pequenas diferenças de tratamento e expectativa entre filhos e filhas.
Os dados também revelam impactos emocionais importantes. Entre os adolescentes entrevistados, 61% disseram sentir ansiedade por pressão ligada ao sucesso. Entre as meninas, o percentual chega a 68%. Já 58% afirmaram ter passado por crises de ansiedade ou pânico.
O estudo destaca ainda que meninas tendem a sofrer mais pressão estética, social e emocional, principalmente nas redes sociais, enquanto meninos frequentemente crescem com mais autonomia, mas menos espaço para desenvolver repertório emocional.
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As diferenças também aparecem quando o assunto é sexualidade. Entre pais e mães entrevistados, 40% consideram aceitável que meninos tenham o primeiro beijo aos 14 anos, enquanto apenas 20% acham o mesmo para meninas. Sobre a primeira relação sexual, 26% entendem que filhos homens podem iniciar a vida sexual entre 15 e 17 anos, contra apenas 9% quando se trata das filhas.
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